Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Material traça a linha genealógica das famílias que se criaram a partir da formação dos quilombos e deve ajudar no processo de transferência de posse definitiva da terra para 12 comunidades. A descoberta de documentos dos séculos 18, 19 e 20 na Catedral de Santo Antônio, em Garanhuns, Agreste de Pernambuco, pode ajudar no reconhecimento da posse da terra de 12 comunidades quilombolas de sete municípios do Agreste Meridional. O material traça a linha genealógica das famílias que se criaram a partir da formação dos quilombos na região. Com o estudo dos arquivos históricos, será possível comprovar a presença centenária nas localidades dos descendentes de escravos fugidos e acelerar o processo de transferência de posse definitiva das áreas. Na semana passada, o secretário de Educação e Cultura, Mozart Neves, assinou convênio com a Cúria de Garanhuns e com a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) para digitalizar todos os documentos. Os registros de 29 paróquias do Agreste Meridional foram descobertos por estudiosos de Garanhuns. A informação foi passada no ano passado para João Monteiro, pesquisador do Arquivo Público Estadual. “Não foi fácil chegar aos documentos. Foi preciso bater à porta da Cúria de Garanhuns várias vezes, até que eles admitissem a existência dos arquivos e aceitassem a saída dos registros para a digitalização”, lembrou Monteiro. Após a digitalização, que deve acontecer em, no máximo, um ano, o material será devolvido para a Igreja. Quando os documentos estiverem prontos, ficará mais fácil conseguir a transferência de posse da terra para as comunidades de Castainho, Estivas, Timbó, Caluete, Estrela e Atoleiros (Garanhuns), Imbé, Fidelão e Cascavel (Capoeiras), Serrote do Gado Bravo (São Bento do Una), Angico (Bom Conselho), e Guaribas de Baixo (Bezerros). No pouco contato que Monteiro teve com as informações ficou entusiasmado. “São histórias preciosas sobre a formação das famílias. Além disso, muitos dados batem com documentos antigos do 1º Cartório de Garanhuns que temos aqui, no Arquivo Público.” Segundo o estudioso, registros de terra e testamentos do cartório mostram que alguns escravos herdaram pequenos lotes de seus senhores. “Queremos saber se essas terras herdadas foram usadas para a formação dos quilombos. Assim, poderemos checar ainda se é verdadeira a história contada pelos descendentes de escravos, de que essas comunidades foram formadas por remanescentes do Quilombo dos Palmares, destruído no século 17”, completou. As atividades revolucionárias no interior de Pernambuco também estão documentados nos registros encontrados na Catedral de Garanhuns. “Há informações sobre a Cabanada e ações favoráveis à Revolução Praieira, por exemplo.” A Cabanada foi um movimento que envolveu a população pobre da Zona da Mata e Agreste de Pernambuco, na primeira metade do século 19, contra o imperador dom Pedro I. A Revolução Praieira explodiu décadas depois, com caráter separatista. Ficou conhecida por este nome porque o jornal que divulgava as idéias dos revolucionários, o Diário Novo, funcionava na Rua da Praia, Centro do Recife. ESTUDO II Cinco comunidades devem ter perfil social definido este ano Das 110 comunidades reconhecidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apenas cinco terão relatório histórico, social e antropológico concluído ainda este ano. A informação é do antropólogo do Incra, Jonnhy Cantarelli. Apenas a área de Castainho, em Garanhuns, teve o processo iniciado. Segundo a superintendente do Incra no Recife, Maria de Oliveira, falta dinheiro para ampliar o número de grupos atendidos. “Não temos convênios para contratar profissionais especializados e estudar todos os casos. Cada laudo custa entre R$ 20 mil e R$ 30 mil para o Incra.” Ainda segundo Maria de Oliveira, há apenas um convênio firmado ano passado entre o instituto, a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade do Canadá. Enquanto o Incra não consegue verba para dar andamento aos processos de transferência de posse, os quilombolas se viram como podem, para sobreviver economicamente e enfrentar os conflitos de terra. Na comunidade de Castainho, cujo relatório está bem adiantado, a ansiedade é grande. Na área de 5.190 hectares, 165 famílias sobrevivem do cultivo de macaxeira, feijão e milho. Mas a economia poderia estar melhor. “A Universidade do Canadá quer implantar aqui um projeto social para aumentar a produção agrícola, mas só pode concretizar a idéia depois da posse da terra”, lamentou o líder da comunidade quilombola, José Carlos Lopes, 49 anos. Segundo ele, pouco mais de 3% da área total reivindicada pelos descendentes de escravos será demarcada pelo Incra. “Dos mais de 5 mil hectares, somente 190 hectares serão nossos. Mas nós vamos continuar lutando, quem sabe no futuro nós conseguimos tudo o que é nosso?” Para transferir a posse dos 190 hectares para os quilombolas, o Incra terá que indenizar 10 pessoas que ocuparam três lotes de 40 hectares e sete lotes com dois hectares cada. Fonte: Jornal do Commercio Publicado em 30.07.2006