Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Evento ligado à Igreja Católica reforça posição dos movimentos sociais de pressão por avanços no combate às desigualdades. Ministro Luis Dulci garante que o presidente Lula deve receber setores populares até final do ano. Fonte: Agência Carta Maior Por: Jonas Valente SÃO PAULO - Desde o início dos anos 90, o setor progressista da igreja católica (as diversas pastorais, dioceses e movimentos laicos) vêm promovendo um conjunto de mobilizações chamadas de semanas sociais para debater problemas do país como a dívida social, a soberania, e a distribuição de renda. Neste fim-de-semana, um seminário em Brasília marcou o encerramento da quarta edição da Semana Social, que teve como tema a construção de um Mutirão por um Novo Brasil. O próximo passo desta construção, segundo concluíram os presentes, passa agora pela necessidade de endossar as grandes iniciativas populares do próximo período. Finalizando em um momento de transição entre o 1º e 2º mandatos presidenciais de Lula, a 4a Semana Social avaliou a experiência dos últimos quatro anos para apontar como desafio a construção de um novo país como um processo que não pode se reduzir à análise das ações do governo federal. “Cada um saiu do seminário convicto que, de um lado, não se pode colocar tudo na conta do governo, há que se continuar um mutirão por um novo Brasil”, diz Dom Demétrio Valentini, coordenador da 4a Semana Social e presidente da Cáritas. Este mutirão se baseia na busca pela inversão que norteiam a sociedade brasileira hoje. “Um terço da população está abaixo da linha da pobreza, temos que ter um projeto de desenvolvimento que não privilegie só o capital, mas a dignidade das pessoas, que dê trabalho para todos e educação de qualidade”, defende Dom Geraldo Majella, presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A visão “governocêntrica” dá lugar agora a uma linha voltada ao fortalecimento da ação dos movimentos sociais, aos quais as entidades da jornada agora vão intensificar sua inserção em suas campanhas e iniciativas. A principal delas é a Assembléia Popular, espaço resultante da união da 4a Semana com as mobilizações de movimentos campesinos e de organizações ligadas à campanha contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). “A semana como tal se encerrou mas encontramos pistas de articulação. A principal delas é valorizar a nova realidade que se criou com a Assembléia Popular. Esperamos suscitar assembléias locais e regionais não só no âmbito das cúpulas, valorizando os fóruns dos movimentos e suas iniciativas”, explica D. Demétrio Valentini. Segundo a coordenação da 4a Semana, a primeira iniciativa a ser apoiada será a mobilização pela anulação do leilão da empresa Vale do Rio Doce. A idéia das entidades é somar-se a esta mobilização, definida como uma das prioridades na plenária nacional da Assembléia Popular realizada na última semana também em Brasília e que deve resultar em um plebiscito popular sobre o tema. “Abraçamos esta iniciativa pela importância que tem esta empresa. Queremos discutir qual o papel social das empresas e como o Brasil precisa repensar o seu patrimônio”, continua o coordenador da 4a Semana. Ele cita também outras mobilizações definidas como prioridades no âmbito da Assembléia Popular que serão fortalecidas pelas entidades da jornada, como a campanha pela redução da tarifa energética e pela valorização do salário mínimo. Seguindo movimento capitaneado pela CNBB durante o período eleitoral, as lideranças da semana incluíram nos temas a serem trabalhados a reforma política. “A corrupção, este mal, deve ser atacado pois pode levar à destruição da democracia se o povo perder confiança na política”, indica D. Geraldo Majella. “Se as semanas sociais são projeto de longo prazo, uma tarefa urgente é avançar na democracia participativa”, continua D. Aldo Pagotto, outra liderança do processo. Segundo Pagotto, a reforma política se apresenta como pauta emergencial para combater o problema da corrupção e ao mesmo tempo mudar o processo decisório do Estado brasileiro para que a sociedade organizada possa influir nas decisões tomadas não somente na escolha de seus governantes em época de eleições. Conversa franca Durante o seminário, a coordenação da 4a Semana recebeu um convidado ilustre, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci. Como integrante do governo designado para a interlocução com a sociedade organizada, Dulci foi ouvir as pautas das entidades. Segundo D. Demétrio Valentini, foi uma conversa franca na qual os representantes da jornada apresentaram sua pauta e ouviram do ministro as possibilidades de encaminhamento das bandeiras. “Foi bom para compor o cenário da sociedade brasileira, confrontar o país que queremos com as limitações concretas que a vida real nos impõe”, relata Valentini. Ao final, Dulci informou que o presidente Lula está em período de conversas com os partidos, mas que deve receber os movimentos sociais até o final do ano para um debate sobre o 2º mandato.