Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Os conflitos agrários na Zona da Mata Sul de Pernambuco são históricos e já geraram muita violência e morte no campo. A Fetape e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) vêm acompanhando, desde o início da pandemia da Covid-19, em março de 2020, o aumento da violência e de ameaças aos trabalhadores e trabalhadoras rurais da região, onde a exploração do monocultivo da cana-de-açúcar já gerou grandes lucros para usinas que, atualmente, encontram-se falidas. No último dia 10 de fevereiro, a morte da criança Jonathas Oliveira, de 9 anos, no Engenho Roncadorzinho, no município de Barreiros, despertou o olhar da mídia e da sociedade para uma questão latente: os conflitos agrários.

Fonte: FETAPE

 

“Não somos invasores. Temos documentação. A gente tem anos e anos que mora nessas terras. A gente quer receber o título que é por direito. Que o Iterpe [Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco] venha fazer o que é pra ele fazer”, pediu a professora Vanessa Maria da Silva Oliveira, da comunidade Batateiras, no município de Maraial. Vanessa já sofreu diversas ameaças e está no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. Enquanto aguardam na Justiça o direito de propriedade, centenas de famílias de Batateiras e de comunidades de mais oito municípios da região sofrem com tentativas de expulsão, destruição de lavouras, pulverização de agrotóxicos na água, prisões indevidas, tiros e até mortes.

Os ônibus chegaram cedo em Roncadorzinho, nesta sexta-feira (18), com dezenas de trabalhadores e trabalhadoras de comunidades da Mata Sul que foram participar do ato por Justiça e Paz no campo. Antônio Cícero veio do Engenho Barro Branco, município de Jaqueira, local também de conflitos por terra. O agricultor denunciou a derrubada de mais de 40 mil pés de banana em uma tentativa de expulsão das famílias do local. “Infelizmente tinha polícia e oficial de justiça dando cobertura. O advogado da comunidade  Lenivaldo leu o documento e viu que tinha algo errado, foi o que nos salvou”, disse.



A presidenta da Fetape, Cícera Nunes, que vem acompanhando os conflitos por terra na Mata, enfatizou que a violência no campo e a exploração nunca deixaram de existir no Estado de Pernambuco. Cobrou a solução dos conflitos e destacou a importância da população do campo para a sociedade.  “Precisamos unificar os poderes do Estado e resolver essa questão de direitos negados, ao invés de camuflar e enganar o povo. Esse povo nasceu nas ameaças e continuam sofrendo ameaças. Se somos responsáveis pela alimentação da mesa brasileira, precisamos de respeito e de políticas públicas porque somos a vida. Não existe campo e cidade sem alimentos”.



Ato em homenagem à Jonathas clama por justiça – Sob forte emoção, a comitiva com parlamentares das Comissões de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e do Senado Federal, além de deputados(as) estaduais, autoridades locais e entidades como a CPT, Fetape e M ST, prestou solidariedade para a família e para a comunidade. Foram recebidos por dezenas de crianças que seguravam cartazes e fotos de Jonathas, no campinho de Roncadorzinho.

“Essa terra é desses trabalhadores, não tenho dúvida. Essa propriedade habitada por vocês hoje já foi moradia de seus antepassados, que foram escravos aqui, depois trabalhadores de engenho e agora estão aqui pra lutar. Esse processo de violência não é de hoje, não vamos baixar a cabeça, vamos continuar lutando”, declarou o deputado federal e presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos e Minorias, Carlos Veras (PT/PE).  

“A terra é sinônimo de vida, dignidade e respeito. Esse sonho precisa se tornar realidade. E vai se tornar porque estamos juntos. Vocês têm do lado lideranças que tem compromisso com a luta que essa comunidade faz aqui”, disse o deputado estadual Doriel Barros, que também acompanhou o ato.  



Participaram da visita a presidenta da Fetape, Cícera Nunes, a diretora de Política para o Meio Ambiente, Rosenice Nalva, o senador Humberto Costa, o deputado federal Carlos Veras (PT),  o deputado estadual Doriel Barros (PT/PE), o deputado estadual João Paulo, as co-deputadas Carol Vergolino e Joelma Carla das Juntas (Psol), o deputado estadual Isaltino Nascimento, o coordenador do MST/PE, Jaime Amorim, párocos da Igreja Católica e representantes da Defensoria Pública de Pernambuco.