Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Aconteceu hoje pela manhã, dia 26/11, às 9h, reunião entre a embaixada Holandesa, a Comissão Pastoral da Terra e comissão de pescadores e pescadoras que vivem no município de Sirinhaém, localizado no litoral sul do estado de Pernambuco. A reunião aconteceu na sede da Comissão Pastoral da Terra, em Recife. O Encontro com os pescadores foi solicitado pela embaixada Holandesa após divulgação de relatório internacional, O Gosto Amargo do Açúcar, elaborado pela Organização OXFAM. O relatório aponta que o Comércio internacional de açúcar para as grandes empresas multinacionais, como a Coca Cola e Pepsi e a Bunge -  com quem a Holanda mantêm relações comerciais -  têm incentivado em países como o Brasil, compras e expropriações de terras que contribuem para o acirramento de conflitos agrários.

 

Segundo o embaixador da Holanda, Kees Rade, o objetivo do Encontro foi conhecer a realidade do conflito territorial envolvendo os pescadores tradicionais, de um lado, e a Usina Trapiche, fornecedora de açúcar para a Coca Cola. O embaixador afirmou que após as denúncias internacionais, a Opinião Pública na região vem exigindo uma postura do Governo Holandês frente as relações econômicas e comerciais que contribuem para o acirramento dos conflitos agrários no país.

Na ocasião, os pescadores relataram ao embaixador todo o histórico de conflito das Ilhas de Sirinhaém, além dos relatos e denúncias de crimes ambientais praticados pela Usina Trapiche ao longo de vinte anos. Os pescadores reforçaram ainda que os cancelamentos de relações econômicas com a Usina Trapiche, como anunciou a Coca Cola, ainda não será suficiente para solucionar de vez o problema enfrentado pelos pescadores e pescadoras tradicionais na região. “ Para solucionar de vez a situação de conflito e combater todos os crimes ambientais praticados pela Trapiche, nós reivindicamos a criação de uma Reserva Extrativista no local”, ressaltou Flávio Wanderley, presidente da Associação de Pescadores de Sirinhaém. “Todos os estudos e etapas para a criação da Reserva já foram concluídos, aguardando apenas um decreto presidencial, mas desde 2009 esse processo encontra-se paralisado por falta de interesse político”, completou Frei Sinsério, frade franciscano que acompanha o conflito na área desde a década de 80.

Ainda durante o encontro, o embaixador recebeu um breve dossiê contendo informações sobre o histórico de conflitos nas Ilhas de Sirinhaém, os crimes ambientais da Usina Trapiche, além de informações sobre os últimos acontecimentos do caso, após divulgação internacional de denúncia da OXFAM. O embaixador se comprometeu a encaminhar todas as informações para os ministérios da Holanda que estão acompanhando o caso. A pedido dos pescadores presentes na região, Kees Rade também se comprometeu a solicitar informações formais ao Governo Federal sobre o andamento da criação da Resex em Sirinhaém.

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