Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Com o tema,Os Crucificados da Cana. ‘Vi a opressão e ouvi o clamor do meu povo (Ex 3,7)’, a diocese de Palmares vai realizar a sua romaria na noite do próximo dia 09 de setembro e manhã do dia 10, em solidariedade aos trabalhadores explorados do corte da cana da Mata Sul de Pernambuco. Nas palavras de Dom Genivaldo de França, Bispo de Palmares, a romaria “trata-se de uma experiência de oração, iluminada pela fé, alimentada pela esperança, fortalecida pela caridade, estimulada pela solidariedade e comprometida com a fraternidade. A Diocese de Palmares vai assumindo, solidariamente, a causa dos trabalhadores do campo, comumente explorados em suas condições de trabalho, na forma de remuneração de sua desgastante mão de obra e, em muitos casos, na expulsão da terra em que vivem e trabalham, há muitos anos”. Dom Genivaldo lembra ainda que, “Embora seja uma realidade nacional, o problema da terra tem um perfil muito próprio na região canavieira da Mata Sul de Pernambuco, com marcas acentuadas de desigualdade social, desde o período colonial”. A romaria vai seguir uma percurso de 12km, saindo de Meia Légua para o Engenho Capivara, do Engenho Capivara para a Agrovila e de lá para o ponto final que é a cidade de Cortês, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Informações gerais da Romaria RESISTÊNCIA (Sonia Freitas) Os povos do campo são fortes Gente de sabedoria e resistência Que lutam por dignidade A Deus pedem clemência Pois a monocultura da cana Escraviza, mata com violência. Os usineiros cada vez mais ricos Exploram o povo sem dó Poluem os rios, destroem a natureza O povo oprimido na pior A mãe terra envenenada Povo na miséria derrama seu suor. Mais os trabalhadores e trabalhadoras Se juntam e dão as mãos Lutam bem organizados Conquistam a terra e multiplicam o Pão Agradecem a Deus pela vida E viva a libertação. IMPACTOS NEGATIVOS DA MONOCULTURA DA CANA Desde os tempos coloniais, os povos da terra sofrem os efeitos destrutivos da indústria da cana no Brasil. Há 500 anos os senhores de engenho exploram o território de Pernambuco. Essa exploração tem gerado extrema pobreza, destruição da mata Atlântica e exploração da mão-de-obra, muitas vezes utilizando trabalho escravo. A resposta à organização do povo trabalhador do campo tem sido a violência. Quantos trabalhadores foram assassinados por lutar por seus direitos? Os senhores de engenho mantêm seu poder pela força e pela influência política. A monocultura da cana impede o desenvolvimento de outras possibilidades de trabalho. Mas, principalmente, os senhores de engenho se apropriam dos bens da natureza – da terra, da água – para manter seu controle sobre os trabalhadores e trabalhadoras. Por isso, a luta pela reforma agrária é tão importante. Só a partilha da terra pode libertar as mulheres e homens escravizados pelo duro trabalho nos canaviais. Com a reforma agrária e o acesso a um pedaço de terra, as famílias camponesas podem cultivar seus próprios alimentos e conquistar sua dignidade. É preciso lutar contra a política do governo que continua apoiando a monocultura para exportação. Apesar da propaganda do agronegócio como símbolo de “desenvolvimento”, sabemos que esse modelo causa sérios problemas sociais e econômicos, como a concentração de renda e o desemprego no campo. Na região dominada pela cana, a única opção para muitos trabalhadores é serem explorados no trabalho dos canaviais. Apesar de todos os problemas sociais, a indústria da cana sempre recebeu muito crédito e apoio financeiro do governo. Mesmo assim, os grandes usineiros de Pernambuco têm uma dívida com o Estado de mais de 3,5 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, a região da Zona da Mata pernambucana, dominada pela monocultura da cana, vive uma realidade de extrema pobreza. Muitas usinas faliram em Pernambuco. Nos últimos 20 anos, o número de usinas diminuiu de 43 para 22. Mas a área dessas usinas permanece a mesma, o que significa que há maior concentração fundiária. Neste período, houve uma perda definitiva de 150 mil postos de trabalho na Zona da Mata e a expulsão de 40 mil famílias de camponeses de suas terras. Então, muitos trabalhadores precisam enfrentar a difícil luta por emprego nas cidades ou migrar para outros estados, onde a exploração é ainda maior. Os trabalhadores migrantes deixam suas famílias com a ilusão de conseguir um trabalho melhor e uma vida digna. Mas o trabalho nas usinas de cana é igual em todo o Brasil e os trabalhadores são tratados como escravos. Por isso, a luta pela reforma agrária é tão importante. O Brasil tem a maior concentração de terra do mundo e é um dos únicos países que ainda não fez a reforma agrária. Esta é uma das principais razões que perpetuam a situação de fome, pobreza e desemprego de milhões de brasileiros. É preciso romper com o poder do latifúndio que impede nosso povo de viver com dignidade. Vamos lutar pela distribuição da terra e reconstruir nossas comunidades, com justiça e igualdade.