Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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A ocupação das terras onde deveria acontecer a tomada de água do eixo norte da transposição é real, não simbólica. Ela pertence aos índios Trukás, que as querem de volta. Ontem plantaram e, nesse gesto simbólico, reocuparam a área.

Há anos temos dito que os conflitos que envolvem a transposição do rio São Francisco só cresceriam à medida que a obra prosperasse. Os fatos nos confirmam. O governo tenta menosprezar a realidade, mas não consegue. Essa ocupação é apenas o começo da reação popular.

A conjuminação de erros dos poderes chega a ser ridícula. O executivo tenta impor a obra a qualquer custo, sempre capitaneada pelo Ministério da Integração, seja qual for o ministro. O judiciário não julga as ações impetradas, fazendo o jogo do executivo, dando tempo ao tempo para julgar depois da obra consumada. O legislativo, salvo raras exceções, parece sequer existir. Não há mais parlamentares para debater as questões populares nesse país. Então, as comunidades tradicionais têm que fazer sua própria defesa. É o que se vê na ocupação dos canteiros de obras. Lá estão índios, pescadores, pastorais, ribeirinhos e movimentos sociais como MST, MAB, MPA, CETA, etc. Voltamos ao melhor dos tempos, quando o próprio povo tinha que fazer sua defesa. Ali, ninguém mais confia no governo Lula.

O WWF acaba de lançar uma crítica mundial às transposições. Elas reforçam a crise global da água, na medida que iludem a população com a idéia de falsa abundância, quando o problema é mesmo de depredação e mau gerenciamento. Aqui não é diferente. A gula do agro e hidronegócios brasileiros desconhece limites. É preciso 50 toneladas de água para se criar um quilo de camarão no litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte. Não temos água para uma atividade assim predadora, como tantas outras. A crise global exige juízo das autoridades. Porém, com usinas atômicas, lei de florestas, transposições, agrocombustíveis, etc., não há porque esperar juízo de quem nos governa. Então, os conflitos serão inevitáveis. Cabrobó, um pequeno município situado no sertão Pernambucano, antes capital sertaneja da maconha, tornou-se o símbolo de uma nova realidade, de uma nova consciência, aquela que vem dos porões brasileiros, desde a greve de fome de D. Luís Cappio. Por isso, vez em quando, voltamos a Cabrobó.

Por: Roberto Malvezzi (Gogó), da Coordenação Nacional da CPT e da comissão de Projetos de Impacto do Hidroagronegócio da CPT/GO.