Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Trocando idéias em Natal Caravana realiza debates para esclarecer projeto para os natalenses Fonte: Humberto Santos - Assessoria de Comunicação da Caravana Natal, 25.08.07 Natal – Sem conseguir dialogar com o poder público local, a Caravana em defesa do rio São Francisco e do Semi-Árido – Contra a transposição, optou pelos debates na capital potiguar para mostrar o significado da transposição para o estado. Natal é a primeira capital nordestina a ser visitada e, também, a primeira cidade visitada pela Caravana que será "beneficiada" pela obra de transposição, caso ela seja realizada. Os debates tiveram públicos diferentes. Pela manhã, foi para os estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e, à tarde, para os trabalhadores rurais da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Norte. O debate na Universidade foi organizado pelo professor Manoel Lucas e pelos alunos da disciplina de "Comunicação e Meio Ambiente". O professor destacou, na abertura dos trabalhos, que a UFRN foi a "primeira universidade nordestina a criar uma comissão para debater o rio São Francisco". O produto desta comissão foi um relatório, tão "consistente" que "o projeto do Fernando Henrique não resistiu" aos seus argumentos. Ele destacou ainda, que a sociedade precisa conhecer o projeto. Manoel Lucas informou que "foi buscado representantes do Governo Federal para apresentar o projeto de transposição. No governo estadual, não havia ninguém que conhecesse o projeto de forma a defendê-lo", contou. Para suprir essa carência, o professor João Abner apresentou o projeto para os presentes. Após cada apresentação dos membros da Caravana, foi aberto espaço para perguntas. Elas foram formuladas pelos presentes e enviadas para a mesa, em formulário próprio. Outras eram feitas no microfone. Uma das perguntas elaboradas foi como a Caravana poderia afirmar, com tanta certeza, que as águas da transposição seriam para a carcinocultura? Rubem Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra da Bahia e membro da Caravana, respondeu que segundo o Ministério da Integração, 70% da água transposta iria para irrigação, 26% para uso urbano-industrial e apenas 4% para consumo humano da população das caatingas, em nome da qual se quer justificar a obra. "A transposição é inconstitucional?", questionava outra pergunta. "Considerando o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) incompleto e outras irregularidades, o projeto fere a Constituição, por isso é inconstitucional", respondeu a promotora do Ministério Público de Minas Gerais, Luciana Imaculada de Paula. Valério Mota, de 64 anos, diz achar "egoísmo" negar a retirada de apenas 1% do Velho Chico. Luiz Carlos Fontes, da Universidade Federal de Sergipe, respondeu um aspecto desta questão dizendo que a produção de energia ficaria comprometida. Soraya Vanini Tupinambá, da Frente Cearense por uma nova cultura da Água e contra a transposição das águas do Rio São Francisco, explicou outro aspecto: "quando o seu Toinho diz que o rio é como um filho que abraça o pai, é que o São Francisco, no encontro com o mar, é onde se reproduz 70% das espécies comerciais pescados no mar. A água precisa chegar ao mar para garantir esta reprodução". Sindicato No auditório José Expedito da Silva, na Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Norte, realizou-se debate para cerca de 40 pessoas. Na condição de potiguar, João Abner Junior, abriu a cerimônia dizendo que a população brasileira não está bem esclarecida sobre este projeto de transposição. "Estou aqui para plantar uma semente da dúvida em vocês. Fiquem com o pé atrás nesse negócio da transposição do São Francisco", afirmou Abner. Depois o grupo abriu para perguntas. A preocupação de quem estava presente estava mais centrado nas atividades em que eles realizam. Por exemplo, a cobrança pelo uso da água. Foi perguntado quem cobraria pelo uso das águas, e o professor Antônio Thomaz da Matta Machado respondeu que a responsabilidade de cobrar pela água é do Comitê de Bacia Hidrográfica. Encerrando o debate, o presidente da CUT RN, José Rodrigues, comentou: "estamos num país onde a comunicação não existe. A gente discute o que o Fantástico e o Jornal Nacional falam. Quando vocês vêem aqui discutir é bom. Porque tudo eles dizem que é bom para os trabalhadores. Vocês vão conhecer o Açu, que o pequeno produtor não faz mais nada depois do açude. Lá tinha a maior plantação contínua de batata doce do país, hoje não tem nada. Lá tem a maior multinacional de frutas do mundo, para contaminar as águas. Já fizemos debates. Mas, a CUT nacional, está em cima do muro