Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Se até os dias de hoje o glifosato não tinha nenhuma comprovação de impacto à saúde humana, o Greenpeace divulgou esta semana que, utilizado em sementes transgênicas, o produto gera o nascimento de bebês defeituosos, conforme registrado na província de Chaco, na Argentina. Os casos na região quadruplicaram entre 200 e 2009. Efeito semelhante foi observado também nas crianças paraguaias expostas ao herbicida. Segundo o Greenpeace, o relatório traz em detalhes evidências que demonstram que os produtos à base de glifosato podem ter efeitos adversos sobre a saúde humana e animal, e que sua reavaliação toxicológica deve ser realizada com urgência. No Brasil, o produto está entre os 14 ingredientes ativos ora revisados pela Anvisa, apesar dos percalços envolvendo ruralistas e seus apoiadores no Congresso e no governo. Neste contexto, o relatório alerta que os limites máximos permitidos de resíduos foram definidos pelo Codex Alimentarius da FAO e Organização Mundial de Saúde (OMS), mas questiona o fato de eles terem sido calculados mais com base em certas práticas agrícolas do que em valores que assegurem a saúde humana. “É o que se vê aqui. O limite de resíduos permitido na soja foi multiplicado por 50 e o do milho por 10, pelo governo brasileiro, quando essas plantas transgênicas foram liberadas. Sem qualquer justificativa técnica”. Com isso, produtores e meio ambiente estão expostos diretamente ao veneno. Entretanto, alerta a ONG, o veneno chega indiretamente aos consumidores via alimentos contaminados. Entre os problemas de saúde relacionados no relatório está o nascimento de bebês defeituosos e problemas endócrinos em animais e células humanas. Outras pesquisas vinculam a exposição ao glifosato com o surgimento do linfoma não-Hodgkin, espécie de câncer no sangue. Ademais, existem evidências de que o produto pode afetar o sistema nervoso e, assim, estar implicado na ocorrência do mal de Parkinson. Do ponto de vista ambiental, pesquisadores independentes vêm demonstrando que a dupla soja transgênica mais herbicida roundup reduz a absorção de micronutrientes, essenciais para o crescimento das plantas, reduz a fixação biológica de nitrogênio do ar, que dispensaria nitrogênio químico, e aumenta a susceptibilidade das plantas a doenças.   Além dos efeitos decorrentes de sua introdução no meio ambiente e uso em escala, o estudo ainda lembra um problema inerente aos organismos transgênicos, que é a imprecisão do método de transferência de genes e a possibilidade de que se produzam efeitos indesejados ou não-intencionais.   O Espírito Santo está em segundo lugar na lista dos estados que mais compram agrotóxicos no País. Isso representa uma média de consumo, por habitante, de cerca de 5 quilos de agrotóxico anualmente. Em um seminário realizado nesta sexta-feira (19), agricultores de diversas partes do Estado alertaram para o risco de morte devido ao uso de agrotóxico no Estado. Aqui, entidades como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), entre outros, lutam por formas mais saudáveis de produção de alimentos, conforme proposta da produção agroecológica. Segundo eles, é necessário alertar a população para a importância de políticas que permitam que a comida saudável produzida pela base familiar chegue a um preço justo ao mercado, garantindo saúde e não a morte de seus consumidores. Fonte: http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=16882