Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

No amanhecer do dia 9 de fevereiro de 1997, há exatos 24 anos, ocorreu um fato que mudou a história da Zona da Mata Norte de Pernambuco: cerca de 300 famílias sem-terra ocuparam o Engenho Prado, da antiga Usina Santa Tereza, no município de Tracunhaém (PE). De lá pra cá, para falar de Reforma Agrária e da luta camponesa na região não há como esquecer a história do povo dos Prados. Essas famílias estiveram debaixo da lona preta até 2005, vivendo um dos mais prolongados e violentos conflitos agrários da localidade. A CPT tem orgulho de ter apoiado essas famílias lutadoras!

“A minha vida mudou totalmente depois da ocupação. Hoje, eu posso bater no peito e dizer que eu tenho orgulho de ter participado dessa luta, de fazer parte dessa história e de ter feito minha história nessa luta”, celebra a camponesa Marilene Ferreira.

O camponês José Carlos também comemora e afirma que a data representa um marco na vida das famílias. “Significa liberdade. Significa respeito. Foi uma luta difícil, muitos achavam que não íamos conseguir, mas conseguimos. A minha vida mudou com a ocupação. Aprendi a ser mais humano e hoje vivo da terra, trabalhando e plantando. Ainda temos dificuldades, mas continuamos na luta”.  

O sonho que alimentou as famílias dos Prados no dia 09 de fevereiro de 1997 não pode ficar para trás. Mesmo após a conquista da terra, a luta continua! O povo do Prado segue com bandeiras ao vento e entoando versos que cantam a justiça, a liberdade e a dignidade no campo!

“Terra de Deus, Terra de irmãos e irmãs!”   

“Se o campo não planta, a cidade não janta!”

“O risco que corre o pau corre o machado!”


Imagens:
Acervo CPT NE2

Rodrigo Lobo