Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Nota técnica do Ministério Público Federal reforça pedido ao Governo do Estado com base em evidências científicas

Organizações da agricultura familiar, movimentos sociais, entidades da sociedade civil e comunidades rurais da Paraíba divulgaram um manifesto em defesa da sanção integral do Projeto de Lei nº 2.061/2024, aprovado pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). O documento conclama o governador João Azevêdo a sancionar integralmente a proposta, que estabelece a distância mínima de 1,5 quilômetro entre aerogeradores e habitações, escolas, unidades de saúde, igrejas e demais áreas de uso público, coletivo e privado.

No manifesto, as organizações afirmam que a proposta não impede a geração de energia eólica nem inviabiliza investimentos. Segundo o texto, o objetivo é garantir que a expansão das energias renováveis ocorra com regras que protejam a saúde, a qualidade de vida e os direitos das populações que vivem nos territórios onde esses empreendimentos são instalados. As entidades também defendem que uma transição energética só será efetivamente sustentável se vier acompanhada de justiça social e da proteção das comunidades rurais e da agricultura familiar.

A mobilização reúne dezenas de organizações da sociedade civil, entre elas movimentos sociais, sindicatos, entidades de assessoria popular e organizações da agricultura familiar, que defendem a criação de um marco legal capaz de conciliar a expansão da energia eólica com a proteção dos territórios e das populações atingidas.

Para a agente pastoral da CPT em Campina Grande, Vanúbia Martins, o manifesto integra uma mobilização construída por organizações da sociedade civil e fortalecida por documentos técnicos que apontam a necessidade de regulamentação da atividade.

"O que estamos defendendo não é impedir a produção de energia. Nós queremos que o Estado regulamente a expansão das usinas eólicas para proteger agricultores e agricultoras familiares, a produção de alimentos e a saúde das comunidades. A nota técnica do Ministério Público vem reforçar os documentos já entregues ao governador e demonstra, com base em evidências científicas e técnicas, a necessidade dessa regulamentação", afirma.

O posicionamento das organizações ganhou novo respaldo nesta semana com a publicação da Nota Técnica nº 3/2026 do Ministério Público Federal (MPF), encaminhada ao Governo da Paraíba. No documento, o órgão recomenda a sanção integral do Projeto de Lei nº 2.061/2024 e afirma que a definição de uma distância mínima entre aerogeradores e áreas habitadas constitui uma medida preventiva para proteger a saúde das comunidades, prevenir novos danos socioambientais e contribuir para uma transição energética socialmente justa.

A nota técnica reúne evidências científicas nacionais e internacionais sobre os impactos da instalação de aerogeradores próximos às moradias, citando problemas como distúrbios do sono, estresse, ansiedade, exposição contínua a ruídos e vibrações, além de outros prejuízos à saúde e à qualidade de vida. O documento também destaca que diversos países adotam parâmetros entre 1,5 e 2 quilômetros de distância entre as turbinas e as áreas habitadas como forma de proteção às comunidades.

Segundo Vanúbia Martins, a manifestação das organizações e a nota técnica do MPF convergem no mesmo objetivo: assegurar que a expansão das energias renováveis aconteça com responsabilidade social. "Nós não somos contrários à produção de energia, mas precisamos de uma regulamentação que proteja a população paraibana. Por isso, estamos conclamando o governador a sancionar integralmente o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa", conclui.

 

Acesse abaixo os documentos na íntegra:

MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DA SANÇÃO DO PROJETO DE LEI Nº 2.061/2024 (Clique para ver)

NOTA TÉCNICA Nº 3/2026 DO MPF/PB (Clique para ver)

 

Legenda da imagem: Projeto estabelece a distância mínima de 1,5 quilômetro entre aerogeradores e comunidades. Foto: Vinícius Sobreira/Brasil de Fato

 

 

 

 

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