Mulheres agentes pastorais da CPT nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte participaram, entre os dias 18 e 20 de maio, do Encontro de Mulheres da CPT Nordeste 2, realizado no Sítio Café do Vento, em Sobrado/PB. Realizado anualmente, o encontro é um espaço de formação, articulação e fortalecimento da atuação das agentes pastorais, além de ser um momento de aprofundamento do debate sobre os desafios enfrentados pelas mulheres camponesas nas comunidades apoiadas.
Setor de comunicação da CPT NE2
Com o tema “Mulheres em movimento: vozes de luta, passos de resistência”, o encontro deste ano contou com a colaboração e facilitação de Mabel Dias, Socorro Borges e Roana Borges. Entre os temas debatidos estiveram as diferentes formas de violência contra as mulheres, bem como estratégias de proteção, resistência, organização e enfrentamento ao sistema patriarcal, à misoginia, ao machismo e ao capitalismo.
De acordo com Joseane de Souza, da coordenação da CPT Nordeste 2, “o intuito foi debater temas que fortaleçam o conhecimento das agentes pastorais para melhor desenvolver o trabalho de base e a missão da CPT nas comunidades, além de fortalecer a articulação e proporcionar a troca de experiências entre as mulheres agentes da CPT". Ao longo do encontro, foi construído um espaço de escuta, partilha e acolhimento, no qual as mulheres puderam compartilhar vivências, saberes, emoções e estratégias de resistência para fortalecer a luta em defesa dos direitos das camponesas e de suas comunidades.
Entre os diversos assuntos discutidos, destacaram-se os fenômenos contemporâneos relacionados ao avanço da misoginia e da violência contra as mulheres, como os impactos da subcultura Red Pill e outras formas de disseminação do discurso de ódio e da tentativa de desumanização das mulheres, que atingem tanto o campo quanto a cidade e impactam as dinâmicas familiares e comunitárias. As participantes também debateram sobre a Lei Maria da Penha e a rede de enfrentamento à violência doméstica e sexual, compartilhando as realidades e os desafios vivenciados nos estados que compõem a CPT Regional NE2.
Além dos momentos de debate político e formação, o encontro também proporcionou espaços de mística, espiritualidade, cuidado e fortalecimento coletivo. Ainda segundo Joseane de Souza, “o encontro foi muito importante porque promoveu debates sobre temas urgentes, que precisam ser compreendidos e trabalhados com as camponesas e as agentes pastorais por meio de processos formativos. Foi um encontro de fortalecimento das agentes, onde elas puderam partilhar suas vivências e retornar às suas bases fortalecidas para continuar a caminhada pastoral, dando cada vez mais visibilidade e voz ao trabalho das mulheres camponesas”.
O encontro foi concluído com a afirmação de que as agentes pastorais seguirão cada vez mais firmes na construção coletiva em defesa da vida, dos territórios camponeses e contra todas as formas de violência promovida pelo sistema capitalista e pelo patriarcado.
