Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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A 36ª Semana do Migrante de 2021 tem como tema “Migração e diálogo”, e como lema “Quem bate à nossa porta”? Trata-se de um processo de debates e atividades que acontecerão entre os dias 13 e 20 de junho de 2021 e buscam dar prosseguimento às reflexões e ações da Campanha da Fraternidade deste ano.

A 36ª Semana do Migrante tem um duplo objetivo: colocar em pauta a temática da migração e, ao mesmo tempo, levar a um compromisso sócio pastoral diante dessa multidão, não raro, sem raiz e sem rumo. Desde logo, deixamos em aberto uma pergunta: para o Serviço Pastoral Migrante, para as igrejas ecumênicas, para a sociedade civil e para os governos – o migrante que bate à porta nos predispõe ao diálogo ou nos fecha no isolamento e na indiferença?

A migração, por si só, é já uma abertura ao diálogo. Querendo ou não, o ato de migrar provoca um potencial confronto dialógico. Pôr-se a caminho equivale a pavimentar a via para um intercâmbio entre diferentes expressões culturais e valores. De forma implícita ou explícita, deslocar-se pressupõe ou estimula troca de valores. Cabe aqui trazer à tona o pensamento de J. B. Scalabrini, o “apóstolo dos migrantes”: De igual modo que as aves migratórias transportam o pólen que fecunda e dá origem ao processo de vida nova, os que se movem pela face do planeta levam consigo visões de mundo que podem fecundar novos povos, experiências e civilizações. O itinerário histórico da humanidade revela como, ao longo dos séculos, deslocamentos humanos em Chegada de imigrantes venezuelanos/as a massa ajudaram a enriquecer regiões, cidades ou países inteiros. Por outro lado, circunstâncias adversas podem fazer, sim, com que as migrações sejam causa de maior intolerância, discriminação ou xenofobia. Se é verdade que a mobilidade humana carrega possibilidades de abrir portas e provocar encontro e diálogo, também é certo que ela pode acirrar os ânimos do rechaço ao “outro, estrangeiro, diferente”. Pode fechar o coração, a porta e a fronteira a tudo e a todos que vêm de fora, e que às vezes acabam mexendo com nossa “zona de conforto”. Contextos ou sociedades distintas, de acordo com países de origem ou destino, representam respostas diferentes ao vasto fenômeno da migração em todo o mundo. 

No campo das migrações, números representam rostos e estatísticas refletem fluxos e caminhos cruzados.

Nossa preocupação primeira não são os dados, mas é impossível evitar alguns. De acordo com o relatório do PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, publicado em setembro de 2019, a quantidade de gente que habita fora do país em que nasceu chega a 271,6 milhões de migrantes internacionais, o que equivale a 3,5% da população mundial, hoje ao redor de 7,8 bilhões. Isto significa que 96,5% jamais ultrapassou as fronteiras do país.

Mas um olhar mais atento ao interior de cada país ou de cada região revela outros tipos de deslocamentos. Ainda segundo o mesmo relatório, os migrantes internos em todo mundo giram em torno de 740 milhões de pessoas. Nesta cifra entram fatores como a urbanização acelerada, em especial nos países emergentes ou subdesenvolvidos; os movimentos temporários ou sazonais em direção às colheitas agrícolas; a busca, na cidade, por melhores serviços públicos de saúde, educação e emprego; e o vaivém pendular e contínuo de casa ao trabalho, e vice-versa, nas grandes metrópoles. No caso da migração interna, o Brasil ocupa um dos primeiros lugares, ao lado dos demais países do BRISC (Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China). Inútil acrescentar que a pandemia tornou a situação dos migrantes mais vulnerável: enquanto milhões ficaram encurralados pelos acampamentos ao longo de várias rotas, outros jamais chegaram ao destino, nem retornaram ao país de origem.

Também podemos assinalar os principais corredores migratórios que ligam os polos de origem e os pólos de destino. A rota mediterrânea faz a ponte entre o norte da África e o sul da Europa: Líbia, de um lado, Itália e Espanha, de outro; já a rota balcânica une o Oriente Médio e o norte da África aos países do velho continente europeu: Grécia, de um lado, Bulgária, Hungria e Áustria, do ou- tro. Ambas as rotas estão bloqueadas devido a acordos bilaterais feitos entre a União Europeia, por uma parte, e a Líbia e Turquia, por outra. Disso resulta que milhares de migrantes se encontram contemporaneamente detidos em campos de refugiados nestes dois últimos países. 

 

Confira a apresentação escrita por Dom José Luiz Ferreira Sales, presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes –SPM:

 

Chegamos a 36ª Semana do Migrante, com o tema: Migração e Diálogo e o lema: Quem bate à nossa porta? Abordar essa temática, significa estar disposto a ser uma Igreja em saída sempre; querer dialogar é sinônimo de quem se abre para a não intransigência. É estar aberto a viver com os diferentes, é criar cenários que propiciem soluções eficazes a partir do diálogo e de uma atitude desprovida de autoritarismos. Apostar nestes processos é tirar a trave que cega nosso olho, e vivenciar o ser humanizado em sua integralidade; é aprofundar a frase do Papa Francisco: “não se trata apenas de migrantes, se trata de humanidade”. Quando lemos a frase, “A vida é uma sucessão contínua de oportunidades”, do famoso escritor Gabriel Garcia Marquez, podemos interpretar o diálogo como uma das maiores oportunidades para vivenciarmos o cristianismo na sua dimensão macroecumênica . Nos permite olhar para o que nos une e nos mostra que a ação com migrantes e refugiados é, acima de tudo, uma atitude que transcende a nossa opção religiosa, vai no âmago do exercício de nossa Fé. Neste ano de pandemia e de pandemônios, convocamos a todos e todas para celebrar a Semana do Migrante, a partir do Quem bate à tua porta? Com isso, estamos interligados com a Campanha da Fraternidade de 2021 e em profunda comunhão com o Papa Francisco, que divulgou o tema da 107º Dia Mundial do Migrante e Refugiado, “Rumo a um ‘nós’ cada vez maior”, que neste ano se celebrará no dia 26 de setembro. Enfim, convidamos a todos a não nos fecharmos para o mundo, e a ampliarmos os laços do amor, da fraternidade e da justiça, esperançando em profunda comunhão com a Igreja de N. S. Jesus Cristo.

 

Dom José Luiz Ferreira Sales, CSSR

Bispo de Pesqueira/PE

Presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes –SPM

Bispo Referencial do Setor da Mobilidade Humana da CNBB

 

Programação: