Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Na manhã desta segunda-feira, 13, cerca de 350 camponeses e camponesas de 19 comunidades acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra em Pernambuco ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/SR-03), no Recife. A mobilização reúne famílias camponesas da Zona da Mata, Agreste e Sertão do estado que enfrentam conflitos por terra e lutam para permanecer nos locais onde vivem e produzem há décadas. Atualmente, essas comunidades estão ameaçadas de expulsão e expostas a situações recorrentes de violência, em um cenário de disputa e de apropriação de terras pelo agronegócio no estado.

Setor de comunicação da CPT NE2

A principal reivindicação das famílias é o cumprimento dos compromissos assumidos em 2023, durante a elaboração do plano de atuação da Autarquia. Naquela ocasião, quatro áreas foram definidas como prioritárias para aquisição pelo Incra, sendo as comunidades de Padre Tiago, em Moreno, Gongo e São Bento, em Itambé, além das terras da Usina Frei Caneca, no município de Jaqueira. Em todas essas comunidades vivem centenas de famílias camponesas posseiras. Até o momento, nenhuma dessas áreas foi efetivamente adquirida, o que mantém as famílias em situação de insegurança, violência e vulneráveis à possibilidades de despejo e expulsão. As comunidades cobram a retomada e a finalização de cada um dos processos junto ao Incra. Além disso, há um conjunto de reivindicações apresentadas por famílias já assentadas da reforma agrária, que demandam melhorias de infraestrutura, liberação de créditos e políticas de fomento para os assentamentos.

A expectativa é que as comunidades sejam recebidas ainda nesta segunda-feira pelo superintendente do Incra, Givaldo Cavalcante, pela Ministra do Desenvolvimento Agrário (MDA), Fernanda Machiaveli, e pelo Presidente Nacional do Incra, César Fernando Aldrighi. As famílias reivindicam a realização de uma audiência para tratar da situação de cada comunidade, com a perspectiva de construção de encaminhamentos concretos. Caso não haja avanços, as famílias pretendem permanecer no local até que haja respostas efetivas. A CPT acompanha toda a mobilização e reafirma que a permanência das famílias em seus locais históricos de vida, trabalho e morada é condição para a garantia de vida digna, de direitos, de produção de alimentos saudáveis e de combate à violência no campo.

 

 

Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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