Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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No sertão pernambucano, à 20km do município de Afogados da Ingazeira, estão as comunidades camponesas de Umbuzeiro e Leitão/Carapuça. Separadas por 3 quilômetros de distância, as famílias que vivem nestas duas comunidades compartilham do mesmo sonho e da mesma luta: construção de experiências de convivência com o semi-árido, valorizando a cultura camponesa, a preservação do meio ambiente e o cultivo de sementes crioulas. É lá onde moram as camponesas Dona Zumira e Maria das Dores. Dona Zumira, na comunidade de Leitão/Carapuça e Maria das Dores, em Umbuzeiro. Ambas fazem parte da associação comunitária, - que é uma só para as duas comunidades. Todos os dias, estas mulheres preservam a tradição, que já tem muitos anos nas comunidades: o plantio de cajueiro, o cultivo das sementes crioulas de feijão, fava, milho e mandioca e a produção de castanha.

 

Maria das Dores conta que no início as castanhas eram produzidas e vendidas aos atravessadores. Mas, com o tempo, muito aprendizado e a organização das famílias, as castanhas passaram a ser beneficiadas dentro da própria comunidade. “No início, eram homens e mulheres. Hoje, a maioria é mulher, e elas dominam todo processo produtivo”, destaca a camponesa, orgulhosa do papel que as mulheres cumprem na comunidade para a preservação da cultura camponesa e das sementes crioulas. “Produzimos de 500 a 800 quilos de castanha por mês e comercializamos para a merenda escolar e para o consumo em nossa região e até para o Recife”.


Dona Zumira comenta que a produção das castanhas melhorou a renda familiar. “É sempre difícil ter que depender do marido”, ressalta. A jornada de trabalho é intensa. As mãos que semeiam, colhe, selecionam, cozinham e embalam as castanhas são as mesma que acariciam, acalentam buscam água, lavam e passam roupas, cozinham, preservam a natureza. Mesmo com a rotina de dupla ou tripa jornada de trabalho, as mulheres não desanimam na dedicação do cultivo das sementes crioulas. “O trabalho coletivo, os momentos em que compartilhamos os sonhos com as outras companheiras aumenta a força de continuar a luta por mais conquista no sertão.”

 

 

Setor de comunicação da CPT NE II

Fotos: Carmelo Fioraso/CPT NE II