Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

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Cerca de 500 camponesas oriundas de acampamentos e assentamentos do MST em todo o sertão de Pernambucano ocuparam, na manhã desta quinta-feira (8), a fazenda da empresa Copa Fruit, em Petrolina. Paralelamente, por volta de outras 300 mulheres da Via Campesina ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife.  As ações fazem parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas Contra o Agronegócio e por Soberania Ambiental. 

A ocupação do Incra tem como objetivo denunciar a extrema gravidade da situação do campo brasileiro e a total inoperância dos Governos Federal e Estadual na implantação de uma profunda Reforma Agrária no Estado de Pernambuco, que garanta a produção de alimentos saudáveis para o mercado interno, assegure a preservação ambiental e promova a distribuição da riqueza e da renda produzidas. Nesse sentido, as mulheres afirmam que não deixarão a sede do Instituto antes de serem atendidas pelo Superintendente e terem sua pauta de reivindicações atendida.



Copa Fruit

A Copa Fruit, antiga Fruit Fort, é uma empresa de produção de manga e uva para exportação. Em setembro de 2009, os funcionário da Fruit Fort entraram em greve por falta de pagamento dos salários. Logo depois a empresa faliu e demitiu todos os funcionários sem nenhum pagamento de indenização. Deixou ainda vários fornecedores sem pagamento. A empresa tem ainda diversas denúncias de manter trabalhadores em condições análogas à escravidão.

As camponesas denunciam a total omissão dos governos Federal e Estadual na implantação de uma profunda Reforma Agrária no estado de Pernambuco, e a prioridade que esses governos têm dado ao modelo agrícola da monocultura agroexportadora, que se baseia na grande propriedade, usa elevadas quantidades de agrotóxicos, gera poucos empregos e produz fome, miséria, exclusão social, violência e degradação ambiental. 

No Sertão do São Francisco, esse modelo é simbolizado pelas grandes empresas de fruticultura irrigada para exportação, que tem expulsado as camponesas de suas terras e envenenado o meio ambiente e a saúde das/os trabalhadoras/es e consumidores com a elevada quantidade de agrotóxicos utilizada em suas plantações.

A Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas acontece em todo o Brasil, mobilizando as mulheres camponesas desde o final da semana passada para cobrar da presidenta Dilma Rousseff a realização da Reforma Agrária, um novo modelo agrícola baseado na agricultura camponesa e na produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos e o veto das mudanças no Código Florestal. Em Pernambuco a Jornada mobilizará mais de 1.200 mulheres, em quatro ações nas diferentes regiões do Estado.

Reforma Agrária Parada 

Segundo a Via Campesina, o ano de 2011 foi o pior ano para a Reforma Agrária em Pernambuco. Segundo dados do próprio Incra, a SR03, Superintendência Regional do Instituto responsável para Reforma Agrária no estado, assentou, em todo o ano de 2011, apenas 102 famílias, o menor número desde 1995. 

Da mesma forma, em toda a área de responsabilidade da SR 29, (Superintendência Regional do Médio São Francisco), que inclui 32 municípios no Sertão de Pernambucano e seis no Sertão Baiano, foram assentadas apenas 528 famílias, o menor número desde que essa superintendência começou a atuar, em 2000. 

Para as camponesas esses números irrisórios só se explicam pela falta de vontade política dos órgãos responsáveis pela Reforma Agrária no Estado, uma vez que, segundo dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural do Incra, no total da área cadastrada dos grandes imóveis no Estado, 57,82% são classificados como improdutivos, o que significa um montante de 411.654,62 ha de terras improdutivas apenas na jurisdição da SR-03. Essa disponibilidade estimada de terras improdutivas permitiria a absorção de toda a demanda necessária de 314.906,00 ha de terras para assentar as 23.000 famílias acampadas em Pernambuco, segundo o próprio Incra.

Contra o Código Florestal

As mulheres da Via Campesina ainda enviarão cartas à Presidenta Dilma solicitando que ela vete a proposta do novo Código Florestal que será votado na Câmara dos Deputados. Segundo elas, o veto é a única atitude coerente que a Presidenta pode tomar, uma vez que, em sua campanha presidencial, Dilma assumiu o compromisso de vetar qualquer projeto que promova anistias ou incentive mais desmatamento, e neste momento é fundamental que esse compromisso seja cumprido.

 

Fonte: MST