Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

A Fazenda Tanques está localizada no município de Itabaiana, região do agreste paraibano. A proprietária do imóvel, Maria Alaíde Toscano Borges, destinava uma parcela da propriedade para a atividade da pecuária, enquanto outra parte era arrendada para o plantio da cana-de-açúcar da Usina Olho D’Água. Uma terceira parte da propriedade era ocupada por 54 famílias de camponeses que plantavam lavoura branca, como fava, feijão, milho e amendoim. Em 1997, sem saber exatamente o que isto representaria, as famílias assinaram um contrato de comodato de três anos com a proprietária do imóvel. Contudo, já no ano seguinte, em 1998, a fazendeira passou a agir de modo ofensivo com as famílias, afirmando querer a área “limpa”, sem nenhum camponês ou camponesa , o que deixou as famílias tensas, pois a proprietária pertencia à família Veloso Borges, que possuía extenso histórico de práticas de violência contra trabalhadores rurais. Nesse momento, a comunidade procurou o apoio da CPT e começou a se reunir para refletir sobre o que poderia fazer para impedir as investidas da proprietária. Em 1999, as famílias iniciaram os trabalhos em mutirões, o que deixou o clima na área ainda mais tenso. As famílias relatam, que para intimidá-las e impedir avanços em sua organização, a proprietária destruiu casas e lavouras e matou animais que eram criados por alguns. A violência chegou ao extremo no dia 29 de junho de 2002. Nesse dia, uma das lideranças da comunidade, o camponês Almir Muniz da Silva, saiu para o centro do município de Itabaiana e nunca mais voltou para casa. Testemunhas afirmam ter visto o trabalhador dirigindo o trator da comunidade no caminho de volta para casa, porém acreditam que Almir foi abordado e levado enquanto seguia seu percurso, na altura da sede da Fazenda. O trator foi encontrado no município de Itambé, em Pernambuco, todo coberto de lama e jogado em um buraco. O caso foi levado à justiça e à Organização dos Estados Americanos (OEA), além de ter sido denunciado aos órgãos municipais, estaduais e federais. Até hoje, não há notícias sobre seu paradeiro, nem dos envolvidos no caso. Em 2003, foi decretada a desapropriação do imóvel e, em 20 de fevereiro de 2004, o Incra se imitiu na posse, criando o assentamento e beneficiando as 27 famílias resistentes da comunidade. Com o assentamento, as famílias conquistaram a construção de suas casas, a energia elétrica, criaram uma associação e produzem alimentos saudáveis para ofertar à população do município.