Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

A Fazenda Paus Branco, situada entre os municípios de Campina Grande e Boqueirão, estado da Paraíba, possui 1.280 hectares e foi desapropriada para fins de reforma agrária em 1988. A área foi dividida em 72 lotes onde hoje vivem mais de cem famílias camponesas. Contudo, essa história começou muito antes de 1988. Para serem assentadas, essas famílias passaram por uma longa peregrinação em busca da terra e de direitos. A história começou na fazenda Serrotão, quando entre 1960 e 1973 os herdeiros do Major Jovino do Ó deram início a um processo de despejo em massa, expulsando quase todos os 700 moradores do local. Nos primeiros anos, houve um processo de resistência por parte das famílias com o auxílio do recém-criado sindicato de trabalhadores rurais, da Comissão de Justiça e Paz da Diocese e em seguida de uma equipe de assessoria sindical criada na Diocese. Com isso, contestaram na justiça e obtiveram algumas indenizações. Com a ditadura militar, a violência tomou conta de Serrotão. Em 1964, ano do golpe, o camponês José Gonsalves foi surrado por capangas do proprietário e, após alguns anos de sofrimento em decorrência dos ferimentos, faleceu em 1967. As famílias foram vítimas de inúmeras ações de violência: foram proibidas de buscar água nos açudes que foram cercados e enfrentaram muita violência policial, que entrou várias vezes na fazenda, expulsando os moradores. Quando despejados, os camponeses se espalharam por bairros da periferia de Campina Grande e continuaram se reunindo, articulados pela Pastoral Rural da Diocese, pela Comissão de Reforma Agrária constituída por camponeses e organizações de Assessoria, pela Paróquia de Bodocongó e Lagoa Seca; pelo PATAC e pelo CENTRAC, que também apoiaram a luta. Em 1987, 150 posseiros expulsos da fazenda Serrotão, com mais 100 famílias que nos últimos anos haviam perdido suas terras, juntaram-se na mesma luta e decidiram ocupar a Fazenda Codorna e Ramadinha II. Algumas dessas famílias desejavam terra para trabalhar, já outras, somente para morar. Novamente despejadas, as famílias ocuparam a Praça da Bandeira, em Campina Grande e, sob chuva e sol, receberam o apoio da população campinense que colaborou com doação de alimentos e agasalhos. No dia 03 de janeiro de 1988, as famílias ocuparam a Fazenda Paus Branco, construíram suas casas e cisternas, organizaram o prédio da escola, construíram Igrejas e formaram duas associações. Assim, as famílias seguem na terra até os dias de hoje.