Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

A Fazenda Varelo de Cima possui cerca de 164 hectares e está localizada no município de Araruna, microrregião do Curimataú oriental da Paraíba. No local, há mais de 30 anos, viviam e trabalhavam 16 famílias camponesas. O conflito teve início em agosto de 1985, com a compra da propriedade pelos irmãos Macedo de Oliveira. A negociação das terras, e posteriormente sua venda, realizou-se à revelia das famílias que lá viviam. Durante o período de conflitos, as famílias relataram vários episódios de violência, dentre os quais se destacam: invasão dos pistoleiros na área realizando disparo de armas de fogo, chegando a ferir dois agricultores; destruição das lavouras das famílias; aterramento de um barreiro que continha um reservatório de água existente há mais de quarenta anos na área em litígio, o que deixou as famílias sem água; o movimento em que oito pistoleiros ficaram de prontidão na entrada da fazenda, impedindo que os camponeses se deslocassem até suas casas ou saíssem para o centro do município de Araruna; atentado de morte contra o Bispo Dom Marcelo Pinto Carvalheira e contra o Padre Cristiano da Diocese de Guarabira, enquanto celebravam missa campal com os camponeses da Fazenda Araruna. Em decorrência da violência sofrida, as famílias camponesas posseiras pediram apoio a várias organizações, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Fetag, o Centro de Defesa dos direitos Humanos da Arquidiocese de Guarabira, Sindicatos dos trabalhadores, a CUT e o Monsenhor Luigi Pescarmona. Todos se reuniram e somaram forças para denunciar a violência sofrida pela comunidade e a omissão das autoridades diante da situação de violência. Além disso, várias famílias camponesas de outras comunidades montaram um acampamento em Araruna, com intuito de contribuir com a proteção dos posseiros ameaçados. Depois de muita resistência e luta, as famílias finalmente conquistaram o direito a permanecer na terra, criando o assentamento Varelo de Cima, através o Fundo da Terra, em 04 de fevereiro de 1988. No parcelamento do imóvel, 17 famílias foram assentadas. Atualmente, a comunidade possui ampla produção de alimentos diversificados, está organizada através de uma associação comunitária, promove reuniões periódicas com agricultores, jovens e mulheres em prol de seus direitos e de uma vida digna no campo.

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