Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Cerca de 2 mil pessoas integrantes do STTR de Apodi, da Via Campesina, ASA Potiguar,  Fórum do Campo, Assembléia Popular,  Grito dos Excluídos, Organizações Sindicais e Populares e Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da Chapada e do Vale do Apodi, saíram às ruas da cidade de Apodi-RN para protestar contra o projeto do perímetro irrigado de Santa Cruz elaborado pelo DNOCS no último dia 25 de julho, dia da agricultora e do agricultor.

 

O projeto pretende desapropriar uma área de mais de 13 mil hectares de terras na chapada do Apodi, onde serão desalojados cerca de 200 famílias para dar lugar a um loteamento irrigado que beneficiará 5 empresas multinacionais que controlam a cadeia produtiva do cacau, uva entre outras.
 
Os agricultores e agriculturas em desacordo com o projeto realizaram um ato público neste dia nacional do Agricultor (a) e enfatizaram os problemas que tal projeto trará para a região, um dos camponeses presentes destacou “Isso que estão querendo fazer conosco é um crime, pois tirar centenas de pessoas de seus territórios e comunidades para entregar estas terras a umas poucas empresas que só se preocupam com seu lucro é uma tremenda injustiça”.
A dirigente nacional do MST, Marina dos Santos, apontou que “ o projeto é contra a reforma agrária, e para termos avanços devemos fazer como quando se cozinha feijão duro: Só vai na pressão”.
 
Esclarecendo sobre o processo de construção do projeto, Junior da coordenação da CPT apontou que o projeto “é feito pelo DNOCS e como em tantos outros lugares este projeto não tem chance de funcionar, pois sua natureza é contra os trabalhadores, e seu objetivo principal é entregar as terras e as águas da chapada para as empresas”.
 
Além disso Cleber Folgado da direção nacional do MPA, destacou que “o Brasil desde 2008 é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, chegamos a consumir o equivalente a 5,2 litros de veneno por pessoa por ano, e um projeto criminoso como este só vai aumentar o uso de agrotóxicos na região, afetando assim toda a sociedade”. O dirigente estadual da CUT, José Rodrigues destacou que “as forças políticas alinhadas ao agro e hidronegócio, tentam impor este projeto a ferro e fogo em detrimento do interesse dos agricultores familiares da região”.
 
José Olanda, agricultor da região enfatizou que “o projeto não vai afetar só os agricultores que moram na região, mas sim toda a sociedade apodiense, inclusive os comerciantes”.Para finalizar o ato, o presidente do STTR, Edilson destacou que “esta é uma luta que está só começando, e nós vamos permanecer organizados e em luta para impedir a implementação deste projeto”.
 
Diante disso, no próximo dia 08 de agosto uma comissão de agricultores e representantes das organizações irão se reunir com representantes do Ministério da Integração Nacional e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para discutir sobre os rumos do projeto. Esta reunião é fruto de uma audiência que ocorreu em Brasília no último dia 19 de julho de 2011, com o Ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho. A audiência foi uma das formas de pressão por parte dos movimentos sociais sobre o poder público que vem proporcionando condições para a implementação de projetos desta natureza. Um dos pontos a serem tratados e que foi a reivindicação imediata do Ato, será a anulação do decreto de desapropriação do projeto.
 
 
 
Fonte: Jornal de Fato e Equipe de Comunicação do Evento.

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