Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Há 60 dias sem receber o pagamento das verbas rescisórias e das férias, e há duas quinzenas sem receber salários, cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras rurais da Usina Cucaú resolveram acampar, por tempo indeterminado, no pátio da empresa, localizada no município de Rio Formoso, na Zona da Mata Sul do estado. O grupo realizou a ocupação na manhã de hoje, após algumas tentativas frustradas de negociação dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e da Fetape junto a representantes da Usina. 

 

A Cucaú emprega 2.000 trabalhadores dos municípios de Ribeirão, Gameleira, Escada, Água Preta, Rio Formoso, Barreiros, Tamandaré e Sirinhaém. Um pedido de audiência, já foi formalizado junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para que o órgão passe a fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas, por parte da empresa, e que possa mediar os conflitos existentes.

Para o diretor de Política Salarial da Fetape, Paulo Roberto, o cenário é preocupante. Ele acredita que se as indústrias primassem pela qualidade da gestão e do planejamento, os trabalhadores rurais assalariados não seriam tão penalizados. “Os canavieiros estiveram, durante todo o período da safra, contribuindo para o sucesso da empresa e, logo após o término da colheita, eles não receberam seus direitos trabalhistas, justamente pelo fato de a Usina não ter uma política de assistência que possa atuar num momento como este. Isso é inadmissível”, avalia. 

Sobre o não pagamento dos direitos trabalhistas, segundo Paulo Roberto, representantes da Usina Cucaú estão alegando que não conseguiram acumular um volume suficiente de recursos para poder sanar todos os seus compromissos. “Em sua maioria, trata-se de empresas que devem à União, ao Estado e, também, ao mercado. Isso às vezes dificulta o processo de negociação antecipada”, conclui.

Em um mês, essa é a terceira mobilização dos trabalhadores canavieiros no Estado

Na madrugada do dia seis de maio, cinquenta famílias, apoiadas pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Goiana e pela Fetape, ocuparam, os engenhos São Bento e Dois Rios II, pertencentes ao Complexo Cruangi/Maravilha, no município de Goiana.
Os ocupantes são ex-funcionários ou funcionários da ativa das Usinas Cruangi e Maravilha que, há meses, não recebem seus salários. Por esse motivo, fica constatado que a terra não tem cumprido o seu papel social e, assim, deve ser utilizada para fins de reforma agrária.
Já no dia 15 de abril, uma comissão formada por 26 trabalhadores rurais assalariados dos municípios de Água Preta, Gameleira, Joaquim Nabuco e Palmares, localizados na Zona da Mata Sul, reuniram-se no escritório da Usina Pumaty, no Recife, para apresentar uma pauta à administração da empresa com as seguintes reivindicações: rescisão do contrato de trabalho; pagamento das quinzenas atrasadas; pagamento do salário família atrasado; pagamento de 50% das férias do mês de agosto e férias completas atrasadas; férias coletivas de quase 70% dos trabalhadores; e repasses das contribuições aos sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, que estão nove quinzenas atrasadas.

De concreto, os agricultores assalariados, que estão há dois meses e meio sem receber as quinzenas, ouviram dos representantes da indústria o compromisso de que, por enquanto, só seriam entregues 2.550 cestas básicas, até o dia 19 de abril.