Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

DADOS Segundo SOS Mata Atlântica e Inpe, entre 2008 e 2010, Pernambuco perdeu 253 hectares do bioma, ou 12,68% da área remanescente, em relação ao período de 2005 e 2008

Pernambuco é o oitavo Estado no ranking nacional de destruição da mata atlântica, entre as 17 unidades da Federação que possuem o bioma. Entre 2008 e 2010, perdeu 253 hectares, o que corresponde a 12,68% da área remanescente, em relação ao período de 2005 e 2008. Os dados foram divulgados, ontem, pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

As informações compõem o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. O documento revela que em praticamente todo o País houve danos ao bioma, mas com redução de 55% no corte de vegetação em comparação com o período anterior.

De acordo com o Atlas, Pernambuco foi o Estado acima do Rio São Francisco que mais perdeu cobertura florestal nativa. A única devastação em região de mangue registrada em toda a mata atlântica ocorreu em Ipojuca, Grande Recife, numa área de 17 hectares, para a expansão do Porto de Suape. No ranking dos 100 municípios do País com maiores danos ao ambiente, Gravatá, no Agreste, aparece em 78º lugar. A cidade notificou desmatamento de 76 hectares, entre 2008 e 2010.

A divulgação dos dados teve como objetivo marcar o Dia Nacional da Mata Atlântica, comemorado hoje. Entre os Estados que mais devastaram o bioma estão Minas Gerais, que perdeu 12,4 mil hectares, Bahia, com 7.725 hectares, e Santa Catarina, que teve um desflorestamento de 3.701 hectares.

Os únicos Estados que não apresentaram áreas de desmatamento acima de três hectares são Paraíba e Rio Grande do Norte. Foram avaliados dados de 17 unidades da federação com presença da mata atlântica, totalizando 98% do bioma no País. O único Estado que ficou de fora foi o Piauí, cujos dados florestais estão indefinidos.

Para a diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, o desmatamento de área de mangue em Pernambuco torna-se mais grave porque ele é autorizado pela lei estadual nº 1496/2010. A norma autoriza a supressão vegetal de 1.076.578 ha, incluindo áreas de mangue, de mata atlântica e de restinga.

“Essa é uma situação extremamente crítica não apenas em Pernambuco, mas em portos de todo o País, que devastam áreas de mata nativa para a ampliação da atividade.”

O levantamento também mostrou as cidades que mais devastaram a mata atlântica em cada Estado. Em Pernambuco, as campeãs foram Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, na Região Metropolitana, Goiana e Itambé, na Zona da Mata Norte, Gravatá, Caruaru e Garanhuns, no Agreste. No entanto, as causas do desflorestamento não foram apontadas pelo Atlas. “As ações de meio ambiente estão entre as últimas prioridades dos governantes. A sociedade precisa estar atenta e mobilizada para impedir a devastação. Temos leis suficientes para proteger a mata, mas elas não são aplicadas porque falta vontade política”, acrescenta o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que é feito um gerenciamento e fiscalização das áreas protegidas através do Sistema Estadual de Unidades de Conservação.

 

Fonte:  Jornal do commercio

27 de maio de 2011

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