Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

 “Abelha não faz mal, faz mel”, quem explica é Nilmara Fernandes, jovem Sem Terra do assentamento Maria Bonita, na cidade de Delmiro Gouveia, no Alto Sertão de Alagoas. Nilmara é uma das centenas de jovens das áreas de Reforma Agrária de Alagoas que participam do Projeto Arajuba, que fortalece a apicultura junto aos jovens acampados e assentados.

 

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Fotos: Vinícius Braga 

 

 

            
Pela terceira vez com tenda na Feira da Reforma Agrária em Maceió, Nilmara destacou a importância do trabalho com a apicultura realizado pelos jovens do MST. “É muito bom poder trazer o mel dos nossos apiários para a Feira da Reforma Agrária em Maceió, poder aqui apresentar um pouco do que temos fortalecido em nossas áreas”, destacou.

            
De acordo com Nilmara, o projeto é desenvolvido há três anos, o mesmo período de vezes que a banca dos jovens apicultores ocupa uma das barracas da Feira da Reforma Agrária.

            
Em 2018, segundo Aline Oliveira, uma das coordenadoras do projeto no Alto Sertão, foram cerca de 150 litros de mel que vieram para a 19ª edição da Feira em Maceió.

            

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Fotos: Vinícius Braga 

“O projeto Arajuba vem com a perspectiva de trabalhar com a agroecologia, desde o início instalando os apiários nos espaços de reserva, estimulando a preservação da caatinga”, comentou Aline. “O princípio da agroecologia está presente na concepção e na execução do trabalho em nossos apiários, essa é uma perspectiva diferenciada, com o entendimento e compreensão de todos os nossos apicultores e apicultoras da Reforma Agrária”.

            
“Para uma produção de mel de boa qualidade a gente precisa preservar a nossa caatinga e manter as nossas nascentes para que a gente possa ter produção o ano todo”, reforçou a jovem do assentamento Lameirão, também no município de Delmiro Gouveia.

            
Segundo Aline, os três anos de atividades do Projeto Arajuba trouxe para os jovens das áreas de Reforma Agrária diversas lições no que diz respeito à agroecologia e o convívio com o Semiárido. “Com as práticas agroecológicas, conseguimos manter no período de verão as plantas que conseguem florar, possibilitando que a gente mantenha a produção”.

           
 “Esse ainda segue sendo um desafio, mas um desafio encarado na prática, entendendo que a agroecologia é, de fato, o nosso caminho”, finalizou.

            
Desde a última quarta-feira (05) a barraca de mel da juventude do MST recebeu centenas de pessoas que visitaram a 19ª Feira da Reforma Agrária em Maceió, que levou mais de 250 camponeses e camponesas de todo o estado de Alagoas para comercializar os frutos da luta pela terra na capital alagoana.

 

 

Por Gustavo Marinho
Da Página do MST