Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

Mais uma vez os Sem Terra saem às ruas de todo país para a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Esse ano sob o lema: “Direitos camponeses já, com Reforma Agrária e Justiça Social”, além da memória dos nossos mártires de Eldorado do Carajás, as mobilizações acontecem contra os desmandos do atual governo, a paralisação da Reforma Agrária, Reforma da Previdência e os cortes de políticas públicas. As ações também tem como mote a liberdade do ex-presidente Lula.  


No âmbito internacional a construção da Jornada passa pela unidade da Cloc/Via Campesina, que afirma a Declaração de direitos dos camponeses e camponesas como uma ferramenta de luta por dignidade no campo.


Além das habituais ocupações em órgãos públicos, as ações desse ano contam com campanhas de doação de alimentos, doação de sangue e de produtos da Reforma Agrária. Além de uma ampla articulação que par a realização de debates em universidades e atividades de formação e informação com a população.


Acompanhe abaixo a relação de ações por estado.


Rio Grande do Sul


Na tarde desta terça-feira (16) um grupo de dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul foi recebido pelo governador Eduardo Leite (PSDB), no Palácio Piratini. A reunião, que fez Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, foi a primeira oficial do Movimento com o atual chefe do Executivo. 


O MST apresentou demandas de assentamentos e acampamentos, que foram ignoradas durante a gestão do ex-governador José Ivo Sartori (PMDB). A principal delas é o comprometimento do governo com assuntos relacionados à Reforma Agrária. Entre eles está o repasse de recursos ao Programa Camponês, a perfuração de poços artesianos e a construção de redes de distribuição de água nos assentamentos, a ampliação de patrulhas agrícolas nos municípios, a implantação de programas para diversificar a produção de alimentos saudáveis, a viabilização da assistência técnica, a manutenção de escolas do campo e o assentamento das famílias acampadas.


No mesmo dia, cerca de 600 militantes realizaram um protesto  na 11ª superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizada em Porto Alegre.


Já no dia (10) um grupo de 50 integrantes do MST que vive em assentamentos de São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, ocuparam a Secretaria de Agricultura do município. O objetivo da ação foi denunciar a precariedade das estradas dos assentamentos, que dificulta o escoamento da produção e o transporte escolar.
Durante a tarde, assentados de Santa Margarida e São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, realizaram vigília em frente ao Fórum de São Gabriel pela liberdade de Lula.


Paraná


Em Curitiba a Plenária Estadual de organização dos comitês Lula Livre, reuniu 700 pessoas entre militantes do MST, integrantes de partidos políticos e de movimentos populares.


Além disso, um ato cerca de 700 pessoas reuniram-se em um ato em memória de Antônio Tavares Pereira, assassinado há 19 anos. Antônio Tavares foi assassinado aos 38 anos de idade, deixando esposa e cinco filhos. A ação foi realizada às margens da BR 277, em Campo Largo (PR). Próximo ao local do assassinato está o monumento em homenagem ao agricultor e a todas as vítimas do latifúndio.


Bahia


Cerca de três mil Sem Terra iniciaram no último dia 10 uma grande Marcha Estadual Lula Livre, pelas ruas do centro de Camaçari em direção a Salvador, capital baiana. A marcha, organizada pelo MST, fez parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária e, além de pautar a liberdade do ex-presidente Lula, denunciou a paralisação das desapropriações de terra no estado. Também na Bahia, em Amargosa, integrantes do MST participaram de uma roda de conversa no terreiro Ventos de Angola, a atividade teve como tema: honrar os mortos para nos mantermos vivos, jornada nacional de lutas e a Reforma Agrária Popular.


Santa Catarina


No dia 10 o Lançamento do Comitê Lula Livre de Santa Catarina, aconteceu em Florianópolis. Ma ocasião reforçou-se que "Lula representa o projeto que faz o povo sonhar". A atividade contou com a participação de representantes de diversas entidades, entre movimentos populares, sindicatos e partidos políticos.


Pará


Nesta terça feira, 16 de abril, a direção estadual do MST foi recebida pelo governador do estado do Pará, Hélder Barbalho (MDB).


A reunião contou com a participação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário e de Pesca (Sedap), Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Segup) e da Deputada Estadual Marinor Brito (Psol).


O MST apresentou sua pauta estadual de reivindicação que entre muitos pontos, está o combate à violência no campo, o fechamento das escolas do campo, regularização de áreas do movimento, o fim dos despejos no estado, fortalecimento da agricultura familiar e compromisso com a Reforma Agrária.


No Pará, palco do Massacre de Eldorado do Carajás o 14 acampamento Pedagógico da Juventude, Oziel Alves Pereira. "O sonho se faz a mão e sem permissão", começou no último dia 11 na curva do S.


O acampamento que termina hoje (17) reúne cerca de 300 jovens que se dividem em diversas atividades. Desde ato ecumênico realizado em memória do frade dominicano Frei Henri Burin des Roziers, passando por atividade de formação, arte e cultura. Além disso durante o acampamento está sendo realizada a feira da Reforma Agrária  no Mercado de São Brás, a feira conta produtos os assentamentos do MST de Mosqueiro, Santa Bárbara, Benevides, Acará, Santa Izabel, Castanhal, Irituia, Santa Luzia, Capitão Poço e Barcarena.


Alagoas 


Sem Terra de todo o estado de Alagoas realizaram na manhã de hoje (17) um ato ecumênico na porta do Tribunal de Justiça de Alagoas, na Praça Deodoro em Maceió. O ato relembrou a história do Massacre de Eldorado do Carajás que completa nesta quarta-feira 23 anos.


Além disso, camponeses e camponesas de todas as regiões de Alagoas marcharam na manhã da última segunda (15) pelas ruas da capital Maceió. E como parte da Jornada Nacional de Lutas, contra a privatização e em defesa da soberania, Sem Terra ocuparam no mesmo dia o prédio da Equatorial Energia, antiga Eletrobrás em Maceió.


Ceará


Cerca de 800 trabalhadores/as ocuparam na madrugada de segunda (15), a sede da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA). Os trabalhadores/as reivindicaram desapropriação das áreas ocupadas, além de infraestrutura para assentamentos já existentes, a construção de escolas do campo, projetos produtivos principalmente para juventude, dentre outros.


Na manhã de terça-feira (16), os Sem Terra seguiram em marcha pelas ruas de Fortaleza e ocuparam o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Brasília


Uma Sessão Solene em homenagem ao Dia Internacional de Luta pela Terra e os 25 anos do MST-DF e Entorno foi organizada na tarde desta segunda (15) pelo Deputado Distrital Chico Vigilante (PT-DF) e a Deputada Arlete Sampaio (PT-DF). Na manhã desta terça-feira (16), famílias Sem Terra acampadas e assentadas no Distrito Federal e Entorno realizaram ação de doação de alimentos para a classe trabalhadora. A ação ocorreu em dois pontos do DF: na BR-080, em frente ao acampamento Noelton Angélico, região de Brazlândia e na BR-020, em frente ao assentamento Oziel Alves, região de Planaltina.


Maranhão


Neste dia 17, o MST realizou protestos em várias cidades do estado para cobrar Reforma Agrária e homenagear os mártires do massacre de Eldorado dos Carajás. Em Itinga, por exemplo, trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra do acampamento Marielle Franco mobilizaram-se em frente ao Fórum de Justiça da cidade contra a possibilidade de despejo da comunidade. 


Além disso, em Açailândia, assentados denunciaram o avanço da monocultura de soja e eucalipto na região que ameaçam a agricultura familiar. Várias plantações e criações das comunidades são atingidas pela pulverização aérea de agrotóxicos. Houve ainda atividades em Igarapé do Meio, Nina Rodrigues e Imperatriz.


Goiás


Na manhã de segunda (16) cerca de 300 Sem Terra realizaram um protesto em frente a Superintendência Regional 04 do Incra, em Goiânia. 


Rio Grande do Norte


Cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras ocuparam o a sede do Incra em Natal. O objetivo da ocupação é denunciar o desmonte da Reforma Agrária e cobrar soluções do órgão para os trabalhadores e trabalhadoras.


Pernambuco


O MST ocupou nesta terça-feira (16) a Superintendência  do Incra em Recife, como parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária.


Após entregar  o Manifesto do MST ao Povo Brasileiro ao Incra, os mil sem terra mobilizados seguiram em marcha em direção à Secretaria de Desenvolvimento Agrário, onde um grupo de lideranças estaduais do movimento foi recebido pelo secretário estadual do desenvolvimento agrário, Dilson Peixoto. Peixoto se comprometeu, junto com sua equipe, de encaminhar a pauta recebida ao governador Paulo Câmara e às secretarias de Saúde, Educação, Cultura, Turismo.


Paraíba


Os Sem Terra doaram alimentos para a população na capital João Pessoa, durante a atividade também foram realizadas conversas acerca da importância da Reforma Agrária Popular e da alimentação saudável. 


Sergipe


Em Sergipe, o MST ocupou na manhã desta quarta-feira a superintendência do Incra. Após a ocupação, os militantes seguirão em marcha até a praça Fausto Cardoso para somar-se ao ato ecumênico organizado pela Via Campesina.


São Paulo


Dezenas de militantes Sem Terra ocuparam a Superintendência Regional do Incra na capital paulista. Além disso, um ato foi realizado no Parque da água Branca em São Paulo com o objetivo de pressionar o Governo do Estado, João Dória (PSDB) que esse ano não cede o local para realização da IV Feira Nacional da Reforma Agrária. 

 

Da Página do MST