Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

 

Já são mais de duas décadas de militância no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com apenas 16 anos, Rosana Maria, a Rosinha, moradora do Assentamento Cícero Bernardo da Silva, em Pernambuco, entrou de cabeça na luta pela terra.
 

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“Já participei de muitas ocupações, de mobilizações, marchas, congresso, fora os encontros que fazemos nos nossos estados”, destaca. A delegação pernambucana levou à 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária uma grande variedade de frutas, além do tradicional artesanato e dos pratos típicos da região, comercializados na Culinária da Terra.
 

Somente em 2005, Rosinha decidiu assumir sua homossexualidade à família e aos amigos e companheiros do MST. Ela conta que recebeu um forte apoio de sua mãe, e um compromisso do movimento em respeitar sua sexualidade. “Para mim foi um passo muito importante porque eu me assumi enquanto sujeito LGBT em 2005, e partir disso, dentro movimento, até ir criando relações e se afirmar é um processo lento. Mas o movimento já vem debatendo nos estados, e agora nacionalmente, construiu um coletivo LGBT, Então para o movimento isso é muito importante”.
 

Hoje, ela é parte do Coletivo LGBT do MST e se orgulha de fazer parte dessa construção. “Hoje eu posso chegar em qualquer lugar e dizer que sou um sujeito LGBT e ponto final. E as pessoas me aceitam como eu sou. Hoje eu assumo a assessoria de comunicação no meu estado e sou muito bem aceita. Faço o meu trabalho e as pessoas me respeitam, o que é mais importante”.
 

O Coletivo LBGT do Movimento Sem Terra foi criado em 2015, e formalizado dentro da estrutura organizativa do MST em 2018. Cerca de 100 pessoas fazem parte. Alessandro Mariano, um dos entusiastas do coletivo explica que apesar da articulação entre os LGBTs ser algo novo dentro do Movimento, esses sujeitos sempre estiveram na militância Sem Terra pelo direito à terra.
 

“Desde a origem do MST os LGBTs sempre estiveram na luta pela terra, no entanto, não efetivamente a identidade LGBTs sendo considerada uma identidade de luta, relacionada à luta pela terra”, afirmou.
 

“O espaço do sujeito LGBT no MST é o próprio movimento, é o assentamento, o acampamento, onde as travestis vão viver e precisam poder produzir, poder viver com qualidade. O campo tem que ser um espaço diverso, onde os sujeitos possam viver dignamente, com a comunidade respeitando, reconhecendo. Isso é importante para os sujeitos LGBTs, mas também para o movimento”, conclui.
 

 

Da Página do MST
Foto: Daniela Moura

*Editado por Gustavo Marinho