Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

“Da cana eu não tenho nada para contar... só tristeza”, Antônio Severino trabalhado rural.

A Comissão Pastoral da Terra e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos acabam de produzir o documentário Bagaço. O vídeo fala da triste realidade de trabalhadores e trabalhadoras da Zona da Mata de Pernambuco que sobrevivem do corte da cana.

A idéia do documentário surgiu da necessidade de denunciar a que custos sociais e ambientais o açúcar e o álcool entraram nas negociações da Organização Mundial do Comércio com preços atrativos. “O álcool é um combustível limpo do cano de escape dos carros para fora. Porque é a um custo social muito caro que ele é produzido nos canaviais do Brasil”, denuncia Marluce Melo, coordenadora da CPT Nordeste 2.

A miséria, as ilusões, a tristeza e a realidade são passadas de forma muito forte e emocionante pelo documentário. O vídeo traz depoimento de trabalhadores e trabalhadoras que ainda vivem a realidade de um sistema semi-escravocrata. Sem direitos trabalhistas, muitas vezes sem receber em dinheiro e com parte do seu salário comprometido pelos mantimentos comprados nas “vendas”, que pertencem aos “senhores de engenho”1[1], e que cobram preços abusivos.

Realidade antes conhecida apenas nos livros de história são parte do dia-a-dia dessa gente que trabalha de sol a sol, que sobrevive sem nenhuma expectativa de dias melhores e que garante a riqueza dos usineiros que os exploram. Cenas do vídeo mostram a forma degradante como os cortadores de cana são tratados e as condições desumanas em que vivem.

Bagaço é um documentário que clama por justiça, necessário para revigorar a força dos que lutam pelo fim da exploração e pela derrota do neoliberalismo.

O documentário tem roteiro de Marluce Melo, Maria Luisa Mendonça, Plácido Júnior e Tiago Thorlby, direção de Maria Luisa Mendonça e Thalles Gomes e edição de Hiran Cordeiro. O vídeo foi produzido em 2006, tem duração de 25 minutos e estará disponível, além da sua versão original em português, em inglês e em espanhol. Cópias podem ser solicitadas à CPT Nordeste 2 pelo telefone 81 32314445 ou por correio eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., pelo valor de R$ 20,00. Para assistir acesse a nossa seção Vídeo

1[1] Esta ainda é a denominação utilizada pelos trabalhadores e trabalhadoras da região para se referirem aos usineiros e aos fazendeiros da região. Assim como a pessoa que traz as ordens e que conta o peso da cana cortada ainda é chamado de feitor.