Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

No final da década 1980, com o início da Nova República e a perspectiva de realização da Reforma Agrária, várias comunidades que moravam há décadas em engenhos e fazendas de Pernambuco se organizaram e criaram uma comissão de comunidades em conflito no estado. A comissão discutiu com 170 comunidades que lutavam pelo direito à terra, e todas decidiram realizar uma marcha pelas ruas do Recife e um acampamento em frente ao Palácio Governo. O acampamento durou 6 meses e, como resultado, alguns conflitos da Mata Sul, da Mata Norte e da Região Metropolitana do Recife foram solucionados. A Região do Agreste Meridional, que possuía 12 comunidades em conflito por terra, teve somente uma beneficiada com a desapropriação de um imóvel para fins de Reforma Agrária: a da Serra dos Mares, no município de Iati.

O Incra, então, ofereceu às demais comunidades a transferência para imóveis localizados no sertão do estado, em terras oferecidas pelos proprietários e compradas pelo órgão. Algumas comunidades aceitaram a proposta de imediato, já a comunidade de Ramada da Quixabeira ainda tentou reivindicar a permanência no agreste, mas a violência dos proprietários da região era tão grande que, em 1990, a comunidade decidiu aceitar o deslocamento para um lugar bastante diferente de onde nasceram e viveram. Chegando ao sertão, mais especificamente ao município de Iguaracy, as famílias ainda se depararam com a morosidade do órgão, fato que levou a comunidade a ocupar a área prometida para acelerar a imissão de posse.

Atualmente, o Assentamento Ramada da Quixabeira possui uma área estimada em 720 hectares, sendo 58,3% do território já ocupado com casas, plantações e forragem para animais; e aproximadamente 12,9% encontram-se com vegetação nativa. O Assentamento tem em sua essência a luta pela Reforma Agrária, que criou nos assentados e assentadas a vontade de buscar por melhores condições de vida. Por terem força de vontade, organização comunitária reforçada pelo grau de parentesco que as ligam, cada vez mais as famílias se empoderam de mecanismos, táticas de liderança e conhecimentos que proporcionam uma melhor condição de vida no semiárido nordestino. As famílias passaram a integrar a feira agroecológica do município, inaugurada no dia 21 de outubro de 2017, também consolidaram um grupo de jovens, que estão buscando na caatinga, através do Umbu, uma fonte de renda alternativa.

Agosto 2018
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